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Jean Genet
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“Genet exige das suas ficções que elas lhe mostrem as coisas como são
este é o seu realismo -, mas com um ligeiro deslocamento
que lhe permitirá vê-las da forma que ele gostaria que elas fossem.”
Jean-Paul Sartre in Saint Genet, Comédien et Martyr

Genet é considerado um dos maiores escritores da história da literatura ocidental, sua obra foi colocada por Sartre, com um prefácio bibliográfico e crítico como se fez para Pascal e Voltaire, na coleção dos Grandes Escritores Franceses. A arte e a estética de Genet, como disse Georges Bataille, “expõe a forma da revolta no espírito daquele que a sociedade excluiu. Abandonado pela mãe, educado pela assistência pública, Jean Genet teve muito menos chance de se integrar à comunidade moral porque tinha o dom da inteligência”.

Sua obra é estritamente coerente e conta a luta do indivíduo pelo seu reconhecimento moral num mundo onde, conforme Lucien Goldmann, “só é moralmente válido o que é condenado pela sociedade real, e tanto mais válido quanto esta condenação é mais rigorosa e mais forte. Daí também a divisão do universo em duas categorias de homens: os fracos, os pequenos ladrões e os escroques, por um lado, e, por outro, os fortes, os assassinos naturais, cujo carácter criminoso faz parte da própria natureza e é voluntariamente assumido”. E por mais paradoxal que possa parecer, trata-se de uma obra elevadamente moral, mesmo que a moral nela seja afetada por um sinal negativo.

A exclusão social é um fenômeno generalizado no mundo globalizado em praticamente todas as sociedades e também mostra a sua face no Brasil de hoje, expandindo-se rapidamente pelas grandes metrópoles, por intermédio do desemprego generalizado e de longa duração, do isolamento juvenil, da pobreza no interior de famílias monoparentais, da ausência de perspectiva para parcela da população com maior escolaridade e da explosão da violência. A exclusão pode ser analisada sob três dimensões: primeira, a dimensão material e objetiva da desigualdade social e econômica; a segunda refere-se à ética da injustiça social e dos preconceitos; e a terceira dimensão, subjetiva, de sofrimentos impostos a milhões de seres humanos.

Uma visão, política e ética, alternativa é consubstanciada na proposta de Amartya Sem, economista indiano, prêmio Nobel de Economia de 1998, “de encarar a exclusão não como uma falta de bens e serviços, mas como o bloqueio de possibilidades e opções para a emancipação e auto-realização profissional e pessoal de cada ser humano”. A partir desta perspectiva o projeto se propõe criar oportunidades de acesso para que a população em geral, enquanto espectadores, e um grupo específico de indivíduos, que através das oficinas e seminários funcionarão como amplificadores da proposta, discutam e reflitam sobre sua realidade e seus meios de inserção e mobilidade social no atual momento da sociedade brasileira.