ÉPICO
BABEL GENET visa ampliar a discussão sobre esta questão através de um olhar poético, pois neste sentido, a arte não é um prolongamento da vida, mas significa uma compreensão qualitativamente diferente da realidade.
Como coloca a filósofa Suzanne Langer, a arte pode ser definida como a prática de criar formas perceptivas, expressivas do sentimento humano.
De acordo com Bertolt Brecht, é uma opinião antiga e fundamental que uma obra de arte deve influenciar todas as pessoas, independente da idade, status ou educação (...) todas as pessoas podem entender e sentir prazer com uma obra de arte porque todas tem algo de artístico dentro de si (...) existem muitos artistas dispostos a não fazer arte apenas para um pequeno grupo de iniados, que querem criar para o povo.
Isso soa democrático, mas na minha opinião não é democrático. Democrático é transformar o pequeno círculo de iniciados em um grande círculo de iniciados. Pois a arte necessita de conhecimento.
Neste projeto e mais específicamente no espetáculo megulharemos na vida e na obra de Jean Genet, guiados pelo teatro épico de Brecht e seus seguidores Hiener Müller e Pina Bausch que tão bem utilizam o princípio da montagem - o linck associativo mas descontínuo de material cênico - como princípio estrutural tanto para a forma como para o conteúdo de seu trabalho.
CONCEPÇÃO DO ESPETÁCULO - CORO
Como explica Luiz Paulo Vasconcellos em seu Dicionário de Teatro:
“Desde a Grécia de Aristóteles recomendava-se a associação do coro à ação da peça (cap. XVIII da Poética ), mas a evolução da narrativa dramática no sentido de causa e efeito fez com que o papel do coro se restringisse a uma mera decoração para, em seguida, desaparecer. No século XX, é justamente com o Teatro Épico que o coro é resgatado como um importante elemento de linguagem cênica.”
É dentro desta perspectiva de resgate e da amplificação da função do coro que vamos estruturar a encenação, criando a ambiência e o “clima” da obra de Genet e relacionando teatralmente estas atitudes com o modo de ver e de viver deste novo milênio.
Através dos “alteregos” de Genet e da inserção deles no mundo de hoje, vamos buscar a descoberta do múltiplo na unidade da espécie, o sutil na diversidade, no mais profundo enigma da vida. Uma encenação onde os atores atuarão de mãos dadas com Genet em primeiro plano. |